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Mostrando postagens de maio, 2011

substância

"O que sinto, na verdadeira substância com que o sinto, é absolutamente incomunicável." Bernardo Soares        A expressão é nula; como se ou se e somente se , tudo fosse igual a zero. Assim a dor, assim o riso, assim as reminiscências. Todavia, fingir a dor que deveras sentes também é saber silenciar, como também hesitar ou fazer pulsar o corte sem corte. A substância da palavra é a própria dor. Não é a dor quando a mão lhe fere- os membros com lápis, vidro ou faca. Não é a dor a ausência de alguém que te levou porque ele era consigo e contigo. A susbstância da dor é a palavra que fere a própria dor. Dize ao fingir e sente a palavra. Joga contra mim a tua substância. Mas, por favor, não me venhas tu com detalhes. Não te quero: quero tua palavra. A chave de tua casa.

XI

Espero a palavra inaudita. Que não me hospede,  que sacuda o pó da hostilidade mundana e me recolha, ainda que seja solitude, num fora que me integre ao comum dos tempos e inelutavelmente longe do furor dos passantes. Espero o dia amanhecer e ser dia, refeito de sua virtude, liberto de todo terror (arrancarei dele o arrepio). Como Soares e suas palavras-sereias: corpos tocáveis. Espero soar a palavra, soprar a palavra. Que seja inaudita.