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Mostrando postagens de outubro, 2011

O meu elefante e o de Drummond

    Já que hoje está se falando no poeta itabirano, quero ler meu-poema-dele, um de que gosto, gosto imenso, como diria se fosse portuguesa. Gosto porque não mais gosto, mas gosto da lembrança de ter gostado, numa época outra. Então, penso que ainda gosto, porque me visito quando o vejo. Ele e o elefante. Eles.  A cinza melancolia. Esses olhos em que se deposita uma tristeza "fluida". Sincera. Mas quando a leio, já se desfaz em fingimento na minha percepeção. ***     Certa vez levei minha filha ao jardim zoológico e paramos para ver aquele animal irreal. Minha menininha falou, com o vocabulário e dicção típicos de uma criança de então dois para três anos de idade, os olhos molhados: mamãe, por que ele está tão triste? Ficou consternada, cheia de compaixão, chorou apertada em mim. Eu não pude desmentir. Não tive coragem. Sim, está. Preferimos ir embora: nossa visita acabava ali. Na foto em preto e branco com fundo de onça ela saiu rugindo com su...

XIV

Espero aquilo que meus olhos não ousarão tocar. Nas mãos,  a intuição da origem ( a quem  nomeio esperança ). Enquanto espero, "sou, em grande parte, a mesma prosa que escrevo." Quando meu coração for invadido pelo sol da tarde, serei eu, enfim, prosa: completamente.

Sonhos como uma fotografia I

sob a sombra de um salgueiro distante, o homem sonhava o sonho de uma extensa ausência. como se toda a amplitude ali começasse a ser medida. o espaço se mostrava insondável, ainda que seus olhos pudessem tocar o movimento da mãos do outro que acenava lentamente. antes que a tarde inundasse a casa, era preciso partir, saltar a pilhagem das coisas-palavras: a memória implacável - o corte - a cicatriz da origem. Ele, Lá: na varanda da casa de paredes brancas, na cidade coberta de neve onde nunca estivera, embora a intuísse. Ali: no "sonho como uma fotografia". Ele sempre estará lá: sonhando ao espelho.

as caixas

cada um e suas coisas e cada coisa e seus outros: você pertence aos seus livros e, seus intrumentos, às notas que não são suas. as notas comandam as digitais dos dedos que não são. tome seu café, saia. e guarde tudo em suas caixas de guardar caixas de guardar. pergunto, entretanto - em que caixa cabem o aceno o gosto a tarde a casa? no quarto de seus vestígios, ouço músicas de onde saem  (suas) músicas. pas de haut-parleus. as músicas que não cabem. os livros que não cabem. os retratos que não cabem: incomensuráveis, infintos e sem dono.