Já que hoje está se falando no poeta itabirano, quero ler meu-poema-dele, um de que gosto, gosto imenso, como diria se fosse portuguesa. Gosto porque não mais gosto, mas gosto da lembrança de ter gostado, numa época outra. Então, penso que ainda gosto, porque me visito quando o vejo. Ele e o elefante. Eles. A cinza melancolia. Esses olhos em que se deposita uma tristeza "fluida". Sincera. Mas quando a leio, já se desfaz em fingimento na minha percepeção. *** Certa vez levei minha filha ao jardim zoológico e paramos para ver aquele animal irreal. Minha menininha falou, com o vocabulário e dicção típicos de uma criança de então dois para três anos de idade, os olhos molhados: mamãe, por que ele está tão triste? Ficou consternada, cheia de compaixão, chorou apertada em mim. Eu não pude desmentir. Não tive coragem. Sim, está. Preferimos ir embora: nossa visita acabava ali. Na foto em preto e branco com fundo de onça ela saiu rugindo com su...
escrita e existência