um mulher muito distinta com seu perfil calculadamente despojado: um casaco vermelho comprado em brechó francês, cabelo desgrenhado com l'oreal paris, trident mascado com sotaque carioca do leblon, perdida-louca pelo pó da mangueira. pelo negão da mangueira. ela disse que não se fala de literatura no país da fome. que não se fala da fome no país da poesia da ambrosia. preciso ter pena dela. apesar de tudo, sua voz foi apenas o eco do que nos gabinetes se esconde: vinho do porto em cálice pseudo-esquerdista, falsa oposição. eles se incomodam com a presença da face oleosa, suburbana, sem clareamento dentário, que ousa tocar em seu solo profano da ausência do metro, do arpejo lírico da existência que não suporta o que eles chamam de real. eles se banham no tejo, braços pra cima bradando o vermelho, as rosas pintadas no muro, mas seu discurso é saturado da gordura de suas metáforas inchadas: intelectuais... ah, semi-deuses: masturbaram glauber rocha, gozaram filósofos con...
escrita e existência