uma lágrima pesada, espessa, como nunca antes vira pender de olhos tão próximos, saturada da substância- líquida-palavra que toca em algum lugar entre o topo da cabeça e a falange do quinto dedo do pé. o corpo todo silenciando diante do que faz brotar uma única só lágrima: pesada, espessa, como nunca vira antes pender dos olhos da filha. a menina cheia de comiseração, sabedoria das crianças, ela disse: senti pena de você. senti de pena de você, mãe. o amor te escapou. o amor, essa palavra.
precisei acolher as suas contradições para perceber o quanto te amo. eu tenho comigo a certeza de que, de qualquer forma, sempre te esperei, te espero e continuarei esperando ainda que eu possa estender o braço e encontrar seu dorso. não vai mudar nada e tudo vai mudar: eis o nosso paradoxo infinito. a espiral que nos envolverá para sempre e por poucos segundos. sim, pois sempre há instantes em que a simplicidade de dizer sim faz sucumbir a obviedade mundana que insiste em ser mais e não. ela é pesada. você sonhava com a leveza. perdoar é difícil para quem vive em ritmo de contar os ritmos: perdoar é difícil a quem prefere arte à vida porque a arte não precisa de perdão. mas eu suplico por tua compaixão e que acredite que possa uma vez mais fechar os olhos e se atirar. confiança. meu amor é vocativo que não cabe na sua faculdade de julgar mas, meu amor, eu espero.