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Consubstanciais II - Macrouridae

Macrouridae

(Flávio Dias Benaque)

És-me assim no instante da hora anterior,
No desvencilho do tom do infinito quartal:
Eis-me morto na ausência da água,
Mas vivo pelas mãos que carregam a cesta.
Observam-me pelo estranhamento do cômico.
Cômico, aproveito verdadeiramente o trágico
E que não me tirem nada, deixem apenas doer
E jazer nesta casa já sem fantasmas.

Assombro-me no ímpeto duvidoso do crânio,
Estática nigredo esperançosa da dúvida,
Que lá fora está sem a cítara desafinada.
Prolonga-me o sopro olhando-me sem perder a tez
alva, já sem a borda de chegada,
Mas a menina loura carrega-me em suas mãos
E afasta-me do Pequeno Grande Mundo Sidarta:
Fita-me sendo mãe do tempo
e deixa-me no fosso do castelo de areia.

A grandiosidade da torre suspensa esmaga-me
em gotinhas de água com areia a dar forma à aventura
feita pela musa que se despede sem a alegria do dia.
Torno-me doido a procurá-la na torre que antes se erguia
no brilho da tarde refletido no automóvel distante,
que abrevia o pesar da despedida sobre o corpo da ausência
daquele fosso (que se desmoronava e desmoronava e abria-se
ao mar distante).

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meu amor: eu espero

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