tomei do meu café. um espaço longo sem falas nem telefonemas nem duas linhas sequer. eu não seria tão confiante em mim mesma, por isso admiro sua coragem em desafiar a sorte de um encontro. o essencial não cabe em duas linhas, o essencial já coube entre nós, mas se foi com o gole de café que me fez chegar ao local onde tenho evitado pisar: a linha do fim. não, não cabe aqui o essencial, nem entre nós, nem em nossa linha do final. digo, entretanto: não será mais tão prazeroso morrer ao seu lado.
precisei acolher as suas contradições para perceber o quanto te amo. eu tenho comigo a certeza de que, de qualquer forma, sempre te esperei, te espero e continuarei esperando ainda que eu possa estender o braço e encontrar seu dorso. não vai mudar nada e tudo vai mudar: eis o nosso paradoxo infinito. a espiral que nos envolverá para sempre e por poucos segundos. sim, pois sempre há instantes em que a simplicidade de dizer sim faz sucumbir a obviedade mundana que insiste em ser mais e não. ela é pesada. você sonhava com a leveza. perdoar é difícil para quem vive em ritmo de contar os ritmos: perdoar é difícil a quem prefere arte à vida porque a arte não precisa de perdão. mas eu suplico por tua compaixão e que acredite que possa uma vez mais fechar os olhos e se atirar. confiança. meu amor é vocativo que não cabe na sua faculdade de julgar mas, meu amor, eu espero.
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OBRIGADA PELA LEITURA.