A palavra despediu-se de mim para que meu corpo hospedasse, em toda sua extensão, o frio que anunciava a aproximação dos primeiros cantos das trevas noturnas. Os seios da Noite insone repeliam seus rebentos, um a um, famintos em tenso desesperar. Então, no silêncio a mim concedido, vesti cada um de seus sonhos quase mortos, com o púrpura colhido outrora, entre as folhas úmidas. Ornei-os com o marfim polido, alimentei-os. Eles seguiram saciados, fartos. Senti-me generosa até que a palavra a mim retornou. Doce. Mas sabia a mar. Contrita, apertei-lhe em meu colo, como não poderia deixar. Meu amor anseiava por tirar-lhe o terror.
O sangue, o leite, o sal: de mim, palavra, provai.
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