Os verdadeiramente banidos podem escolher a fome, a falta, o desespero da saudade absurda ou até mesmo serem interpelados pela sugestão nefasta da nostalgia e tragar da fumaça da sua cigarrilha. A nostalgia, nesse caso, é a prostituta idosa de meia calça rota, olhos manchados de olheira e lápis cajal. Contudo, como uma personagem de Lynch, ela sabe mais de nós do que toda a narrativa que nos atravessa.
(...)
C. não deveria ter dito que a amava, então, porque ele não pode estar com mais ninguém a não ser com ele-mesmo, não pela força poética do exílio, mas porque as pessoas que acontecem em seu percurso precisam ter a medida da ponte para o alcance de sua passagem.
(ele a encontrou pronta. ela tinha o tamanho certo para ele. depois de destruí-la pedaço por pedaço, ele diz que precisa de espaço. e some.)